domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sonhos de Pertencer - (Sem destino).



   Andando sozinha na madrugada, sem muito mais que meia dúzia de cigarros, parada em uma passarela esta Ana Clara a observar os carros que transitam na Avenida abaixo. Sua expressão transmite apenas tédio aos olhos dos poucos que raramente passam. A cena era um tanto quanto estranha. O que fazia uma garota de no máximo dezoito ou dezenove anos sozinha em um local desses a essa hora?
    Ela definitivamente não poderia ser confundida com uma moradora de rua. Ana usava um vestido azul bem claro, à altura dos joelhos, meia arrastão e uma sapatilha preta com laço na ponta. A única coisa que a protegia do sereno da madrugada era a jaqueta preta de couro.Seu belo e volumoso cabelo estava preso, batendo no meio das costas. Sua cor natural era quase impossível de saber, haviam mechas azuis, verdes, laranjas, amarelas e vermelhas todas harmoniosamente distribuídas.Nas mãos carregava uma bolsa relativamente grande para sua pequena estatura (próxima de um metro e sessenta)e um cigarro ainda não aceso que hora ou outra encarava.
  Era por volta de três da manhã quando Ana decide partir da passarela. Ela não sabe quanto tempo exatamente passou ali mas por suas contas deveria ser algo em torno de horas, ela pensa "meu destino agora é lugar nenhum" e com isso ri e parte, por que sabe que independente da rua que virar, da direção que for estará no caminho certo, "lugar nenhum também pode ser qualquer lugar".
   Ana acende um cigarro e caminha. Após cerca de meia hora de caminhada sai em uma avenida que de madrugada é famosa por ter mais movimento que de dia, trata-se de uma avenida de bares onde os metalúrgicos das fabricas ao redor passam a noite fugindo de suas esposas e de seus empregos que tanto odeiam.

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