Recordo –me que desde quando eu era criança sempre tive um
olhar especial para os oficios manuais que criam estrutura: marcenaria, carpintaria,
ou a construção civil. Durante muitos anos mesmo compreendendo o teor
pejorativo que minha classe social aonde resido tem para pedreiros, quis ser
um.
Hoje em dia eu ainda acho fascinante estes oficios, e se o
tempo me der condições um dia entrarei em alguma oficina que me ensine um pouco
de algumas dessas coisas. Porém acho que muito pelo desenvolvimento do meu
senso estético acabei por ter um gosto por desconstruções, falhas e limitações.
A desconstrução de um pensamento ou frase aleatória, a desconstrução de um
objeto que ofende o senso comum por não ser o que deveria ser, a falha do
objeto ou ser que por ser-o-que-é ofende ao senso dos outros.
Se eu pensar um pouco vejo que muito desse meu gosto esta em uma busca por "essência"mas também
em uma rebeldia infantil, uma revolta sem sentido que diz “não seja o que esperam
de você” ou mesmo “ofenda a todos com sua verdade, sua forma, cuspa isso no
rosto de todo mundo”.

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